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Este texto é uma resposta de uma mensagem de uma mãe pretendente a adoção, enviada para o Quintal de Ana. E que foi respondida por Bárbara Toledo. Como algumas questões abordadas são de interesse comum a todos aqueles que estão de alguma forma ligados a Adoção, resolvemos publicá-lo aqui. Os nomes das pessoas foram modificados a fim de manter sigilo.

"Amigos da Adoção e do Grupo de Adoção Tardia,

Tendo tomado conhecimento parcial dos fatos ora relatados, isto é, do interesse da Maria em adotar e sua procura por uma criança que, segundo o perfil desejado já foge bastante a regra dos que aguardam na fila de adoção, e sua dificuldade em contactar, inclusive, os abrigos de outras instituições etc. Isto também foi o que ela própria me esclareceu numa conversa telefônica. Pois bem, infelizmente essa tem sido a regra do jogo: a maioria das instituições de abrigo não dispõe de informações sobre a situação jurídica das crianças abrigadas. Isto é, não sabem se estão ou não disponíveis para a adoção, até muito pelo contrário, entendem que todas têm "família". E os Juizados ou Varas da Infância também não abrem tais informações, como se ofendessem a dignidade humana daquelas crianças. Não percebem que indigno é estar fora do contexto familiar, sem a proteção segura e afetiva de um pai e/ou mãe, privado dessa convivência e de um desenvolvimento saudável.

Na verdade, aqueles que agem dessa forma e não vêem a adoção como um verdadeiro direito da criança em ter uma família, é porque ainda vêem tais crianças não como sujeitos de direitos, mas como objetos de suas famílias biológicas. Temos que mudar esse paradigma, e é o que todos os grupos de apoio à adoção estão fazendo. Os resultados, lamentavelmente, são muito lentos e nem sempre são como idealizamos. Mas não podemos esmorecer, estamos construindo a própria história.

E, o que fazer ao receber uma informação sobre uma criança disponível? Primeiro, faz-se necessário conferir essa informação. Pois, na maioria das vezes, nem mesmo há DPF (Destituição do Poder Familiar). O que vale dizer que a mesma poderá se tornar indisponível para adoção novamente. O que vemos nas listas publicadas no DO (Diário Oficial), ou na própria lista do site do Quintal, são crianças que já atingiram idade avançada, ou que têm alguma deficiência, ou são grupos de irmãos, cuja reintegração é impraticável. Aí então, como última hipótese e salvadora da pátria, é que cogitam a adoção.

Resta-nos um trabalho bastante árduo: viabilizar as adoções necessárias. Quanto à má educação ou negligência com que somos tratados quando buscamos informações, devemos denunciar isso à mídia, aos órgãos competentes, in casu, o Ministério Público, o Juizado ou Vara da Infância, ou à própria Corregedoria Geral de Justiça do Tribunal de seu estado. Há também o disque denúncia do Tribunal, Ouvidorias Municipais... Lembremos sempre que isto deverá acontecer em sede do município e estado onde se deu o ocorrido. Pois um promotor ou juiz do Rio de Janeiro não tem nem atribuição nem competência para apurar irregularidades em outro estado. Também se faz necessário obter prova dos fatos, ainda que sejam testemunhais. Podemos fazer tudo isso, mas com certeza podemos fazer muito mais.

Gostaria de convidar a todos para visitar o site do Quintal (www.quintaldeana.org.br), nos telefonar (21) 2622-6968, ou participar de alguma de nossas reuniões ou projetos, colaborando com seu trabalho ou sua contribuição, sugerindo novas ações ou incrementando as existentes para juntos garantirmos o direito de muitas crianças: de viver em família! No dia 19 de dezembro de 2006, o Quintal de Ana entregou ao Ministério Público relatórios psicossociais de 20 crianças de um abrigo em Niterói que NUNCA foram avaliadas, como se não existissem, como se não vivessem abrigadas. E todos os relatórios apresentavam possíveis soluções e encaminhamentos para os problemas relatados. Isso em apenas 3 meses. Todas as crianças foram visitadas e entrevistadas, suas "famílias" visitadas em seu domicílio, e também devidamente entrevistadas etc. E, tudo por uma equipe de 12 voluntárias e 2 estagiárias conveniadas. Gente que também está no nosso barco, lutando para que as crianças tenham uma família.

Essa luta vale a pena, pois se estivermos mudando o destino de uma criança apenas, nosso esforço não foi em vão, e fez a diferença! Desejo a todos um Feliz Natal e um Ano Novo cheio de maiores conquistas! Um grande abraço, Maria Bárbara Toledo e toda equipe do Quintal de Ana. (...) Mais uma vez, obrigada.

por Dra. Maria Bárbara Toledo
presidente da ONG Quintal da Casa de Ana