"Celebrar os 10 anos do Quintal da Casa de Ana representa uma oportunidade Ãmpar para uma reflexão profunda do movimento da partida e aonde chegamos 10 anos depois. Vencemos muitos preconceitos, tivemos enfrentamentos e superamos obstáculos, houve momentos de desânimo, alegrias incontáveis nos fizeram perseverar até hoje.
Assim, o Quintal pode integrar o Movimento Nacional de Apoio à Adoção e contribuir substancialmente para o seu fortalecimento e divulgação da Nova Cultura da Adoção.
Valeu a pena escrever essa história de 10 anos e contabilizar as conquistas alcançadas tanto em Niterói como no estado do Rio de Janeiro e também no Brasil.
O Quintal passou a ser uma grande famÃlia, se tornou referencia e pode disseminar a criação de novos Grupos de Apoio à Adoção.
Lendo esse Balanço Social dos 10 anos, constatamos a importância do diálogo fecundo e das parcerias firmadas, formando uma grande teia, uma rede a serviço da defesa dos direitos de crianças e adolescentes.
Os poderes constituÃdos têm despertado para a realidade do abandono e longa institucionalização no Brasil. A sociedade e a mÃdia falam mais abertamente sobre ADOÇÃO.
Muitas crianças e adolescentes tem sido garantidos no seu direito de viver em famÃlia, em famÃlias de verdade!
Assim, os 10 anos do Quintal estão justificados e sobra ânimo novo para os próximos 10!"
Maria Bárbara Toledo
Presidente da ANGAAD
A Associação Nacional dos Grupos de Apoio à Adoção (ANGAAD) – www.angaad.org.br É um organismo responsável na luta pela promulgação da nova Lei da Adoção, que a mìdia vem dando grande destaque. A ANGAAD tem sido o receptivo de todas as angústias que famÃlias adotivas, pretendentes, profissionais e simpatizantes da causa têm manifestado com relação aos debates acerca da adoção na mÃdia. Sendo assim, enquanto presidente, tenho recebido comentários sobre a forma como o tema da adoção está sendo retratado.
Nos últimos anos, o Movimento Nacional de Apoio à Adoção tem contado com a colaboração da imprensa falada e escrita na divulgação de uma NOVA CULTURA DA ADOÇÃO!
E, o que é essa NOVA CULTURA DA ADOÇÃO?
A Nova Cultura da Adoção é uma nova forma de ver a adoção sob a perspectiva da criança em situação de abandono ou institucionalizada, que precisa ter o seu direito à convivência familiar garantido. Por meio da adoção, pode-se concretizar tal direito: uma famÃlia para cada criança! Daà a busca pela mudança de paradigma na adoção. Na verdade o que se quer é a colocação dessas crianças em famÃlia.
A adoção não deve ser um ato de caridade, mas sim um ato de amor, uma "via de mão dupla" onde pais e filhos são ganhadores; a verdade da origem do filho adotivo deve ser respeitada e conhecida (desde que possìvel) e a adoção deixa de ser um segredo de famÃlia, algo que não se possa revelar (ora, somente as coisas feias ou inadequadas procuramos esconder).
Nos últimos quinze anos, cresceu no Brasil a consciência social de que a adoção deve se inserir numa ampla rede de proteção à infância e à juventude, deve representar uma possibilidade de reconstruir vÃnculos afetivos duradouros, e ser um dos recursos de proteção à s crianças e aos adolescentes. Uma nova consciência foi e está sendo construÃda a cada dia por todos aqueles que vivem a adoção a partir do interesse maior da criança e do seu direito ao afeto e à proteção num contexto familiar.
Entra em cena a sociedade civil organizada em Associações e Grupos de Apoio à Adoção, determinada a retirar a adoção dos espaços da mentira e do silêncio, da quase clandestinidade em que estava confinada pelo medo e pela ignorância, e inseri-la no espaço aberto da luta pelo direito à convivência familiar e comunitária de todas as crianças brasileiras, direito ainda negado a milhares de cidadãos brasileiros confinados, e muitas vezes esquecidos, em instituições.
Os Grupos de Apoio à Adoção (GAAs) conseguiram perceber com bastante clareza que a paternidade/maternidade responsável não se confunde necessariamente com a paternidade/maternidade biológica, podendo até mesmo ser coincidente, mas pressupondo CUIDADO E AFETO!
Em conseqüência, desde 1996, a sociedade civil organizada e presente em mais de 100 (cem) cidades em todo paÃs, através dos GAAs e da ANGAAD, articulam um movimento nacional, mediante a realização de um grande evento anual: o ENAPA (Encontro Nacional dos Grupos de Apoio à Adoção).
Este Movimento Nacional luta pelo direito à convivência familiar e comunitária, capitaneado pelos Grupos de Apoio à Adoção, e teve, como recompensa por mais de uma década de militância amorosa, o mérito de despertar o poder público para a situação de aflição de milhares de crianças e adolescentes que vivem depositados em instituições de abrigo.
Para coroar as conquistas do Movimento, é promulgada a Lei 12010/2009, apelidada de Nova Lei da Adoção. Esta Nova Lei presenteou a todos os militantes da defesa do direito da criança e do adolescente e especialmente as próprias com a fixação do prazo máximo de 2 anos para o abrigamento. Em outras palavras, uma criança não poderá ficar abrigada por mais de 2 anos! Inclusive, durante este perÃodo, as instituições de abrigo deverão juntamente com as equipes técnicas do Judiciário informar, através de relatórios semestrais, ao juÃzo competente, a situação sócio-jurÃdica da criança e de sua famÃlia biológica, sob pena de responsabilidade.
Esse dispositivo retrata toda a luta do Movimento pela convivência familiar, pois ao final de 2 anos o Juiz da Infância e as equipes responsáveis terão que definir a situação jurÃdica da criança, isto é: se ela deve ser reintegrada à famÃlia biológica , o que deverá ser feito imediatamente, ou, se não for possÃvel, deverá ser encaminhada à famÃlia substituta, na modalidade da ADOÇÃO que atende o melhor interesse da criança.
Esse é o grande mérito da lei!
No entanto, o Movimento de Apoio à Adoção ganha instrumentos preciosos de pressão e controle da atuação estatal em favor da convivência familiar e comunitária, sempre na perspectiva de "uma famÃlia para uma criança". Afinal, a criança não pode ser tratada como objeto, nem mesmo de propriedade de sua famÃlia biológica. Ela merece ser amada e cuidada.
Inicia-se uma nova era: a do enraizamento destas conquistas não mais nas vanguardas das instituições e poderes, mas na sua base, para que as injustiças consagradas hoje possam ser revertidas rapidamente. A adesão destes atores sociais de peso, do poder público, através de suas lideranças, deve ser cobrada em todas as cidades e suas prefeituras, todas as Varas da Infância, seus juÃzes, psicólogos, assistentes sociais, todos os abrigos e seus dirigentes. Enraizar significa trazer a sociedade e as autoridades para o centro desta transformação pelo debate franco e leal.
Resta aos Grupos de Apoio à Adoção de todo o Brasil, dar continuidade ao seu papel histórico, que tão bem foi executado por gente tão corajosa ao longo desses anos. As boas novas vêm carregadas de expectativa positiva e de novas tarefas e desafios. Os militantes da adoção, por conhecerem as possibilidades de amor incondicional que este vÃnculo traz aos que dele experimentam, sabem que a mobilização e o esforço continuam, para que em cada municÃpio a criança seja uma prioridade real e tenha pleno exercÃcio de seu direito à convivência familiar.